14.2.26

Preguiça é Doença Mental no Japão? Entenda a Verdade Científica e o Impacto na Vida da Mulher

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Preguiça é Doença Mental no Japão? Entenda a Verdade Científica e o Impacto na Vida da Mulher

Nos últimos anos, tem circulado a ideia de que “preguiça é tratada como doença mental no Japão”. Mas será que isso é verdade?

A resposta exige nuance, rigor científico e responsabilidade ética — especialmente quando falamos de saúde mental feminina.

Neste artigo você vai entender:

  • O que realmente acontece no Japão
  • Quais transtornos podem ser confundidos com “preguiça”
  • As bases científicas envolvidas
  • O impacto na vida da mulher
  • Estratégias psicológicas práticas
  • Quando buscar ajuda profissional

Preguiça é considerada doença mental no Japão?

A palavra “preguiça” não é um diagnóstico psiquiátrico no Japão nem em nenhum outro país segundo o DSM-5-TR ou a CID-11.

Porém, no Japão existem fenômenos psicossociais que frequentemente são rotulados socialmente como “preguiça”, mas que na verdade estão associados a transtornos mentais ou sofrimento psíquico relevante (acredito que não seja diferente em nenhum outro pais).

Os principais são:

1. Hikikomori – Isolamento Social Prolongado

O fenômeno conhecido como Hikikomori descreve pessoas que permanecem isoladas socialmente por pelo menos seis meses, muitas vezes sem trabalhar ou estudar. Inicialmente pode ter sido visto como um fenômeno cultural japonês, hoje é reconhecido como um problema de saúde pública.

Estudos relevantes:

  • Kato et al. (2012; 2019) – revisão internacional sobre hikikomori
  • Teo & Gaw (2010) – isolamento social como possível síndrome psiquiátrica
  • Ministério da Saúde do Japão – estimativas de mais de 1 milhão de casos

Importante: o hikikomori não é oficialmente classificado como transtorno mental independente, mas frequentemente está associado a:

  • Depressão maior
  • Transtornos de ansiedade
  • Transtorno do espectro autista
  • Fobia social

O que socialmente é chamado de “preguiça” pode ser, na verdade, evitação patológica ligada a sofrimento mental ou ainda outras questões que precisam ser melhor investigadas por profissionais qualificados. 

2. Taijin Kyofusho – Medo Intenso de Interação Social

Outro fenômeno culturalmente descrito no Japão é o Taijin Kyofusho, uma forma de ansiedade social marcada pelo medo intenso de envergonhar ou incomodar os outros. Pessoas com esse quadro podem evitar atividades sociais ou profissionais — comportamento que, externamente, pode ser interpretado como falta de iniciativa.

3. Depressão e “Perda de Energia”

A Transtorno Depressivo Maior tem como sintomas centrais:

  • Fadiga persistente
  • Perda de interesse (anedonia)
  • Lentificação psicomotora
  • Dificuldade de iniciar tarefas

O que culturalmente pode ser rotulado como “preguiça” pode, na realidade, ser disfunção neurobiológica envolvendo:

  • Sistema dopaminérgico (motivação)
  • Eixo HPA (estresse e cortisol)
  • Sistema límbico

Por que surgiu a ideia de que “preguiça virou doença mental” no Japão?

Alguns fatores explicam essa percepção:

  • Cultura de alta performance e disciplina
  • Pressão social intensa
  • Estigmatização da improdutividade
  • Crescimento dos casos de isolamento social
  • Índices significativos de suicídio 

Em uma sociedade altamente produtivista, a ausência de desempenho tende a ser medicalizada ou moralizada.

Mas do ponto de vista científico:
👉 Preguiça não é diagnóstico.
👉 Pode ser sintoma de sofrimento psíquico, traço de personalidade, uma fase desafiadora da vida, baixo auto-estima. 

Impacto na Vida da Mulher

Para a mulher, especialmente aquela que equilibra múltiplos papéis (profissional, mãe, esposa, cuidadora, vida ministerial), o rótulo de “preguiçosa” pode gerar:

  • Culpa crônica
  • Baixa autoestima
  • Autossabotagem
  • Burnout
  • Ansiedade espiritual (“não estou fazendo o suficiente”)

Em mulheres cristãs, pode surgir ainda:

  • Conflito entre descanso e produtividade
  • Interpretação moral do cansaço

É fundamental distinguir:

  1.  Cansaço fisiológico
  2.  Exaustão emocional
  3.  Depressão
  4.  Evitação ansiosa
  5.  Procrastinação comportamental

Nem tudo é preguiça. E quase nunca é falta de caráter no sentido moralizante e estigmatizante ou rotulador (aff... quantas palavras né...)

Como Vencer a “Preguiça” Quando Ela é Sintoma de Sofrimento

1. Avaliação Diferencial

Pergunte-se:

  • Estou fisicamente exausta?
  • Tenho perdido prazer nas coisas?
  • Estou evitando algo por medo?
  • Há sintomas de ansiedade ou tristeza persistente?

Se sim, você precisa de ajuda profissional qualificada (psiquiatra, psicólogo, terapeuta certificado), para seguir com a investigação e intervenção adequada. 

2. Estratégias Baseadas em Evidências (TCC)

A ativação comportamental é altamente eficaz para sintomas depressivos leves a moderados.

3. Neurociência Aplicada

  • Sono regulado melhora dopamina
  • Exercício físico aumenta BDNF
  • Nutrição adequada estabiliza energia
  • Luz solar regula ritmo circadiano

Corpo e mente são inseparáveis.

4. Dimensão Espiritual Saudável

  • Descanso não é pecado.
  • Jesus descansava.

Espiritualidade saudável promove:

  • Ritmo
  • Propósito
  • Autocompaixão

Culpa excessiva não é fruto de saúde espiritual

Quando Buscar Ajuda Profissional?

Procure avaliação psicológica ou psiquiátrica se houver:

  • Isolamento social persistente
  • Perda significativa de energia por semanas
  • Ideias de inutilidade e morte
  • Comprometimento funcional

⚠️ Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação profissional.
Nenhuma orientação aqui apresentada isenta a leitora de buscar acompanhamento com psicóloga, psiquiatra ou médico quando necessário.

Conclusão

A “preguiça” não é uma doença mental no Japão e em nenhum outro país. Mas comportamentos rotulados como preguiça podem ser expressão de sofrimento psíquico real ou imaginário. 

A pergunta correta não é:
“Por que sou tão preguiçosa?”

Mas sim: “O que meu corpo e minha mente estão tentando me dizer?”

Produtividade sem saúde não é virtude. E descanso consciente é estratégia — não fraqueza.

Bases Científicas (Referências)
  • Kato, T. A., et al. (2019). Modern Trends in Hikikomori. Psychiatry and Clinical Neurosciences.
  • Teo, A. R., & Gaw, A. C. (2010). Hikikomori: A Japanese Culture-Bound Syndrome? Journal of Nervous and Mental Disease.
  • World Health Organization. CID-11 (2019).
  • American Psychiatric Association. DSM-5-TR (2022).
  • Tateno et al. (2016). Hikikomori and psychiatric comorbidity.
  • Steel, P. (2007). The nature of procrastination. Psychological Bulletin.
  • Sirois & Pychyl (2013). Procrastination and health.

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Mônica Leite 
Psicóloga CRP/SP 0691797
  • Terapia Cognitivo Comportamental, Dependência Química e Neurociências
  • Gran Master em Neuropsicologia Clínica, Hipnose e Saúde Emocional
  • Criadora da Missão Mulher Digna - Fé e Renda no Digital
  • Criadora do Peso Feliz – Emagrecimento Consciente, Saudável e Sustentável
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