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17.10.25

✨Emagrecimento & Saúde Mental: Tratamento com Mounjaro

Monica Leite Psicóloga
As imagens deste blog são ilustrações criadas com apoio de IA. Elas não representam pessoas reais, nem fazem uso indevido de imagens de terceiros.

✨Emagrecimento & Saúde Mental: Tratamento com Mounjaro

📌 “Por se tratar de uma instituição pública e sem fins lucrativos, e em respeito à legislação vigente sobre privacidade e ética profissional, informamos que o(a) médico(a) envolvido(a) nesta conversa não autorizou a divulgação de sua identidade ou quaisquer dados pessoais.”

Transcrição organizada (Mônica Leite ↔ Médico)

Mônica (Psicóloga): Doutor, para começar: o que é exatamente o Mounjaro (tirzepatida)? Para que ele foi desenvolvido originalmente?
Médico: Mounjaro é o nome comercial da tirzepatida, um peptídeo injetável que age como agonista dual dos receptores GIP e GLP-1 — duas incretinas que regulam a secreção de insulina e o apetite. Foi desenvolvido inicialmente para tratar diabetes tipo 2, mas mostrou efeitos potentes de redução de peso em estudos de obesidade, e acabou recebendo também indicação para manejo crônico do peso com outra apresentação (Zepbound é a marca de tirzepatida aprovada para perda de peso em alguns países). (NCBI)

Mônica: Como essa descoberta aconteceu — houve um “momento Eureka”?
Médico: A ideia surgiu da ciência sobre incretinas: GLP-1 já era alvo (ex.: semaglutida). Pesquisadores combinaram ação em GIP e GLP-1 num único composto para potencializar efeitos sobre glicemia e apetite. Ensaios clínicos (p.ex. SURMOUNT e outros) mostraram reduções de peso muito superiores às observadas com GLP-1 isolado, o que levou à investigação e aprovações para obesidade/controle de peso. (New England Journal of Medicine)

Mônica: Para que serve, hoje, clinicamente? Pode ser prescrito só para “emagrecimento estético”?
Médico: Clinicamente, Mounjaro (tirzepatida) está indicado principalmente como adjuvante para controle glicêmico em diabetes tipo 2. Em vários países (EUA: Zepbound; Brasil: ANVISA atualizou indicações) tirzepatida ganhou indicação formal para manejo crônico de obesidade/controle de peso quando combinado com dieta (nutricionista), atividade física, acompahamento médico e psicológico, em pessoas com critérios de IMC ou comorbidades. Não é indicado simplesmente para “emagrecimento estético” sem avaliação médica — é uma terapia para condições crônicas e com riscos e custos a serem ponderados. (Access Data FDA)

Mônica: Quais são os benefícios comprovados?
Médico: Em ensaios controlados (p.ex. SURMOUNT e outros), pacientes tratados com tirzepatida apresentaram reduções médias de peso substanciais — em alguns estudos médias de 15–20% do peso corporal em meses de tratamento, além de melhora no controle glicêmico e marcadores cardiometabólicos. Benefícios relatados também incluem melhora da qualidade de vida relacionada à saúde em muitos pacientes. (PubMed)

Mônica: E os riscos, os famosos efeitos adversos? O que precisamos monitorar?
Médico: Efeitos mais comuns são gastrointestinais (náusea, diarreia, vômito, constipação). Riscos mais sérios relatados e monitorados incluem pancreatite, complicações da vesícula biliar (cálculos), hipoglicemia quando usado com agentes hipoglicemiantes, reações de hipersensibilidade e informação pré-clínica sobre tumores de células C da tireoide (risco em roedores levou a advertência; contraindicação em pacientes com história pessoal/familiar de carcinoma medular da tireoide ou síndrome MEN2). Autoridades regulatórias e estudos de farmacovigilância continuam avaliando eventos raros relacionados a p.ex. pancreatite e efeitos psiquiátricos. Monitoramento médico é obrigatório. (Access Data FDA)

Mônica: Há implicações no campo da saúde mental? Pessoas com ansiedade, depressão, transtornos alimentares?
Médico: Sim — precisamos atenção redobrada. A literatura mostra resultados mistos: muitos pacientes relatam melhora da autoestima e qualidade de vida, mas há relatos e estudos que associam os medicamentos da classe GLP-1 (e derivados/análogos) a sintomas de ansiedade, alterações do sono, e, em alguns estudos observacionais, um aumento sinalizado em relatos de depressão ou ideação suicida — embora revisões e análises controladas não encontrem associação consistente. Em resumo: avaliar histórico psiquiátrico, monitorar mudanças de humor e comportamento, e envolver psicologia/psiquiatria quando necessário. Psicólogos têm papel central em triagem, psicoeducação e prevenção de desenvolvimento/exacerbação de transtornos alimentares. (JAMA Network)

Mônica: O tratamento costuma ser gratuito? Como ficam os custos?
Médico: Depende do país, da indicação e do plano de saúde. Em muitos lugares o uso para diabetes é mais frequentemente coberto por planos; para uso exclusivo para emagrecimento a cobertura varia muito e muitas seguradoras consideram isso “cosmético ou estético” — exigindo critérios de IMC e comorbidades. Preço sem cobertura nos EUA gira em torno de US$~1.000 por mês (varia por dose e país), mas fabricantes e programas de assistência podem reduzir custos; no Brasil houve estipulação de preço máximo ao consumidor (ex.: anúncio de valores ao lançamento; preços variam entre fontes — algumas reportaram R$1.700 a R$3.600 mensais no início da entrada do produto). É fundamental planejar financeiramente antes de iniciar, porque o medicamento costuma ser de uso crônico para manutenção e a interrupção pode levar a ganho de peso de volta. (GoodRx)

Mônica: Quais são os cuidados práticos — físicos, mentais, financeiros e sociais — que eu, como psicóloga, devo reforçar com pacientes que buscam esse tratamento?
Médico: Vou dar aqui um resumo prático...

  1. Avaliação médica completa (histórico pancreatite, medula tireoide, gravidez, medicações concomitantes).

  2. Triagem psiquiátrica: avaliar depressão, ansiedade, transtornos alimentares, ideação suicida, expectativas irreais.

  3. Plano multidisciplinar: médico + nutricionista + psicólogo/psiquiatra +, se indicado, fisioterapeuta/exercício.

  4. Consentimento informado sobre riscos, benefícios, custos, e possíveis efeitos no humor e na imagem corporal.

  5. Monitoramento regular (laboratoriais, sintomas gastrointestinais, humor) e estratégia de desmame se necessário.

  6. Planejamento financeiro: simular custo mensal/ anual, possibilidades de copagamento, programas do fabricante.

  7. Rede social de apoio para lidar com estigma e mudanças nas dinâmicas relacionais. (Access Data FDA)

Mônica: Pode descrever cenários reais/possíveis de complicações no âmbito psicológico e social?
Médico: Sim. Vamos a alguns exemplos:

  • A paciente perde peso rapidamente e encontra menos apoio social — familiares acusam de “tomar atalho”, levando a conflito; isso pode gerar isolamento e piora de humor.

  • Alguém com história de transtorno alimentar começa a restringir mais por orgulho da “dieta + medicação” e desenvolve comportamentos compulsivos — exige intervenção precoce.

  • Pacientes com expectativas de “cura emocional” ficam frustrados ao descobrir que medicação não resolve problemas de autoimagem profundamente arraigados — necessidade de terapia para trabalhar identidade e padrões relacionais. (A psicóloga tem papel central em prevenção e intervenção nestes cenários.) (Verywell Health)

Mônica: Por fim, existe uma “receita ética” para prescrever/acompanhar esses tratamentos?
Médico: Sim: prescrição responsável, critérios clínicos (IMC e comorbidades quando exigidos), avaliação de risco/benefício individual, consentimento informado, monitoramento contínuo e trabalho em equipe interdisciplinar. Evitar prescrição apenas por pressão estética; priorizar segurança. Psicólogo/a deve assegurar que o paciente entende que o medicamento é ferramenta — não uma “solução milagrosa” para conflitos emocionais. (American Gastroenterological Association)

Mônica: Obrigada doutor, amei conversar com um especialista tão consciente, humano e responsavel. 
Médico: Fico feliz em ajudar, e cooperar com seu trabalho. 

Checklist prático: Emagrecer com Mounjaro

Antes de iniciar (triagem)

  • Exame clínico e laboratoriais (função hepática, amilase/lipase se indicado, avaliação tiroideana conforme história). (Access Data FDA)

  • História de pancreatite, câncer de tireoide, síndrome MEN2 → contraindicações ou cuidado. (Access Data FDA)

  • Avaliação psiquiátrica: depressão, ansiedade, história de transtornos alimentares, ideação suicida. Documentar. (JAMA Network)

  • Plano de custo: quanto o paciente pode arcar mensalmente? 6–12 meses de comprometimento financeiro previsto. (GoodRx)

Durante o tratamento (monitoramento)

  • Revisões médicas periódicas (ajustar dose; avaliar efeitos gastrointestinais, risco de hipoglicemia). (Access Data FDA)

  • Sessões regulares com psicólogo (psicoeducação, gerenciamento de expectativas, prevenção de transtorno alimentar, suporte de imagem corporal). (APA)

  • Monitoramento de humor e sono; escala de triagem breve (PHQ-9/GAD-7) a cada 1–3 meses nos primeiros 6 meses. (JAMA Network)

  • Planejamento social: preparar família/rede, trabalhar estigma e comentários externos. (Verywell Health)

Se apareçam sinais de alerta

  • Dor abdominal intensa/vômito persistente → investigar pancreatite. (The Guardian)

  • Ideação suicida ou depressão agravada → contatar psiquiatria e considerar suspensão. (U.S. Food and Drug Administration)

  • Perda de peso extrema e comportamentos de restrição → intervenção multidisciplinar imediata (nutrição + psicoterapia). (PMC)

Interrupção / manutenção

  • Avisar que a interrupção pode levar ganho de peso revertendo parte ou todo o efeito; discutir estratégia de manutenção (cognitivo+ comportamental + nutrição + exercício). (PubMed)

Cuidados financeiros e logísticos (práticos)

  • Simular custo total (ex.: R$ X por mês × 12 meses). Verificar programas do fabricante, cartões de desconto e cobertura do plano. Documentar no prontuário discussão financeira. (GoodRx)

  • Evitar compras por canais não regulados (compostos ilícitos) — risco de qualidade e segurança. (Investopedia)

Papel da psicologia 

  1. Triagem e acompanhamento dos riscos psiquiátricos e transtornos alimentares. (JAMA Network)

  2. Trabalho de expectativas: ajudar o paciente a integrar a perda de peso ao sentido de si, relações e identidade. (Aqui a metáfora serve: perder peso sem cuidar da psique é como podar arvores sem regar a raiz.)

  3. Prevenção do estigma e trabalho com família/rede para apoio social. (Verywell Health)

  4. Planos comportamentais para manutenção a longo prazo (há evidência que combinação de medicação + terapia cognitivo comportamental resulta em melhores resultados duradouros). (Diabetes Journals)

O que dizer ao paciente (modelo de fala clara)

“Esse remédio foi desenvolvido para tratar diabetes e, em estudos, mostrou grande eficácia na redução de peso quando combinado com dieta e exercício. Não é uma ‘pílula mágica’: traz benefícios importantes, mas também riscos (náuseas, risco raro de pancreatite, alerta sobre tireoide, e impacto possível no humor). É essencial uma avaliação médica, acompanhamento psicológico e planejamento financeiro antes de iniciar. Trabalhamos em equipe para que a mudança seja segura, sustentável e alinhada com sua vida.” (New England Journal of Medicine)

Referências

  • FDA — MOUNJARO (tirzepatide) bula/label (inclui indicações, advertências e monitoramento). (Access Data FDA)

  • FDA — aprovação de Zepbound (tirzepatida) para manejo crônico de peso (combinado com dieta/exercício). (U.S. Food and Drug Administration)

  • NEJM — ensaio SURMOUNT (tirzepatide para tratamento da obesidade) com resultados de perda de peso. (New England Journal of Medicine)

  • StatPearls / revisão farmacológica — mecanismo: agonista dual GIP/GLP-1. (NCBI)

  • ANVISA — nota técnica e atualização sobre indicação no Brasil (junho/2025). (Serviços e Informações do Brasil)

  • Reports & reviews sobre efeitos adversos & farmacovigilância (MHRA, jornais científicos e matérias de imprensa médica sobre pancreatite e monitoramento). (The Guardian)

  • Artigos e guias clínicos sobre psicologia e GLP-1 (APA Monitor, JAMA Psychiatry, revisões sobre saúde mental e medicamentos para perda de peso). (APA)

  • Fontes de preço e acesso: Lilly/pricing, GoodRx, reports locais (CFF/VEJA sobre preços no Brasil e programas do fabricante). (Lilly Pricing Info)

Mônica Leite

Psicóloga CRP/SP 0691797
Terapia Cognitivo Comportamental, Dependência Química e Neurociências
Gran Master em Neuropsicologia Clínica, Hipnose e Saúde Emocional
Criadora do programa Mulher Digna - Fé e Renda no Digital
Criadora do Peso Feliz – Emagrecimento Consciente, Saudável e Sustentável

Nota de transparência:

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