Psicoeducação: Maconha e os Efeitos do THC no cérebro.
A abordagem da maconha deve ir além do viés religioso, moral ou criminal. A psicoeducação baseada em evidências é essencial para a prevenção, especialmente entre adolescentes e jovens adultos. Profissionais de saúde mental devem esclarecer riscos, acolher dúvidas com escuta ativa e empática, e orientar decisões conscientes, sem reforçar estigmas.
1. Introdução
A maconha (Cannabis sativa) é a substância ilícita mais consumida no Brasil e em diversos países, especialmente entre jovens e adultos com idades entre 18 e 24 anos, de acordo com dados da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD) e do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID). O consumo entre adolescentes (12 a 17 anos) é menor, mas preocupante devido à vulnerabilidade cerebral nesta fase da vida.
A planta contém mais de 400 compostos químicos, sendo o tetra-hidrocanabinol (THC) o principal responsável pelos efeitos psicoativos.
2. Efeitos Psicológicos e Cognitivos do THC
O impacto do THC sobre o sistema nervoso central varia conforme a dose, frequência, idade de início, predisposição individual a transtornos mentais e contexto sociocultural do uso. Estudos conduzidos pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e pela Universidade de Brasília (UnB) apontam que, ainda que algumas pessoas relatem sensação de relaxamento, euforia ou alteração sensorial (sons mais agradáveis, cores mais vívidas), outras podem vivenciar:
- Ansiedade intensa, paranoia, ataques de pânico;
- Confusão mental e alterações de percepção da realidade;
- Efeitos adversos graves em altas doses, como alucinações visuais, auditivas e sinestésicas (por exemplo, sensação de insetos no corpo ou visões religiosas intensas);
- Alteração da coordenação motora e do tempo de reação, o que torna perigosa qualquer atividade que exija atenção plena, como dirigir, nadar ou operar máquinas.
Exemplo prático: Um jovem que consome maconha e decide dirigir à noite pode subestimar distâncias ou não reagir adequadamente a um pedestre atravessando a rua, colocando a sua própria vida e de outras pessoas em risco.
3. Uso Crônico e Consequências a Longo Prazo
Pesquisas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) demonstram que o uso regular e prolongado da maconha pode acarretar:
- Comprometimento da memória de curto prazo, atenção, capacidade de julgamento e tomada de decisões;
- Síndrome amotivacional, caracterizada pela perda de interesse em atividades sociais, acadêmicas e profissionais;
- Aumento do risco de doenças respiratórias crônicas e câncer de pulmão, devido à presença de alcatrão em níveis semelhantes ou superiores aos do tabaco;
- Potencial para desenvolvimento de dependência química, especialmente em pessoas que usam a substância para aliviar estresse ou fugir de situações emocionais desconfortáveis.
Exemplo prático: Adultos jovens que consomem maconha para lidar com a ansiedade durante o curso universitário relatam queda no rendimento acadêmico e dificuldade em manter rotinas estáveis, podendo abandonar estudos ou trabalho.
4. Dependência, Síndrome de Abstinência e Comorbidades
A dependência ocorre quando o uso da substância torna-se prioritário na vida do indivíduo. Nessas situações, é comum que a pessoa organize suas atividades em função do consumo e experimente sintomas de abstinência (sintomas que surgem com a interrupção do uso), tais como:
- Irritabilidade, agitação, sudorese;
- Dificuldade para dormir, perda de apetite;
- Sintomas físicos leves, como náuseas e desconforto gastrointestinal;
- Em alguns casos, sintomas psicóticos transitórios (alucinações auditivas e visuais).
O uso continuado, principalmente entre pessoas com predisposição genética, pode precipitar ou agravar transtornos psiquiátricos como esquizofrenia, transtorno bipolar, ansiedade e depressão.
5. Conclusão e Considerações
A abordagem da maconha deve ir além do viés religioso, moral ou criminal. A psicoeducação baseada em evidências é essencial para a prevenção, especialmente entre adolescentes e jovens adultos. Profissionais de saúde mental devem esclarecer riscos, acolher dúvidas com escuta ativa e empática, e orientar decisões conscientes, sem reforçar estigmas.
Campanhas públicas, programas de prevenção e políticas integradas são fundamentais. Iniciativas como o GREA (Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas da USP) e a UNIFESP – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (UNIAD) oferecem materiais educativos de alta qualidade e gratuitos.
Fontes e Referências
Carlini, B. H. (2011). Drogas: cartilha sobre maconha, cocaína e inalantes. Brasília: Ministério da Justiça – SENAD. https://febract.org.br/portal/wp-content/uploads/2020/04/Cartilha-sobre-maconha-coca%C3%ADna-e-inalantes.pdf
GREA – Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas – USP. Disponível em: https://www.grea.org.br
UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas – UNIFESP. Disponível em: https://www.uniad.org.br
CEBRID – Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. https://www.cebrid.com.br
Universidade de Brasília (UnB), Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas.
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Departamento de Psicobiologia.
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Programa de Pós-graduação em Psiquiatria e Ciências do Comportamento.
Mônica Leite
Psicóloga CRP/SP 0691797
Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental e Neurociências
Gran Master em Neuropsicologia Clínica, Hipnose e Saúde Emocional
Criadora do programa Peso Feliz – Emagrecimento Consciente, Saudável e Sustentável e Mulher Digna - Fé e Renda no Digital
Nota de transparência:
Esta pesquisa inicial foi realizada por mim, e contei com o apoio de inteligência artificial para organizar o conteúdo e estruturar o texto. Todo o material foi revisado antes da publicação. Caso identifique qualquer informação incorreta ou desatualizada, entre em contato para podermos corrigir prontamente
Nenhum comentário:
Postar um comentário